quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

agora aqui estou eu


"Oiço lana! Só podia estar a ouvi-la para não mais escutar o eco do desfolhar das memórias que quero esquecer.

Oiço lana! Só podia estar a ouvi-la para reter o aprazível de te ter em mim.

Parece que a minha retina ganhou memória, e
O teu último sorriso contido no teu olhar ficou retido em mim…
Este cenário não é ficção idealizada. Este cenário não é capricho das divagações. Este cenário não é devaneio tão desejado. 
É memória! É memória! Que nem precisa de ser engavetada, pois está sempre a ser recapitulada.
Mas, também, posso dizer: é apenas memória - de momentos que se esvoaçaram no espaço temporal.
Óóhh!! Que digo eu! (entrego-me  ao doce engano que tanto me afaga os devaneios em desânimo), se sei que a memória copia o poder da matéria no espaçotemporal. faço da memória o que faço com os meus átomos. Posso mudar tudo, e trago o passado para o presente, e o lá para cá….e perpetuo….

O tempo e espaço têm uma relação de reciprocidade indivisível- é de senso comum, bem sei. Como também é sabido que a matéria deforma a curva espaço-tempo. Mas para mim, o intrigante é  pensar sobre o pensamento, em registo de memória, integrado e articulado no espaço-temporal, como se de um uno, também, se tratasse. Quando estou entregue às memórias, sem já estar de corpo presente no espaço-temporal em que estive contigo, sem ter a matéria a estabelecer os parâmetros, como posso mudar os eixos? A verdade é que mudo os eixos. A verdade é que mudo os parâmetros. Se quero esquecer o eu no espaçotemporal, consigo alarga-lo ou estreitá-lo, conforme o masoquismo do momento. Se quero lembrar o eu no espaçotemporal, consigo, sempre, alargá-lo. Sempre.

agora aqui estou eu - e reparem que mais uma vez o espaço e tempo estão contíguos, a partilhar a mesma linha- a relembrar o ontem, em que já lá não estou, mas mesmo assim a ordem de sucessões e de coexistências as faço transmudar.
A memória copia o poder da matéria na linha espaçotemporal? Átomos que coabitam no espaçotemporal, é inteligível que tenham comportamentos promíscuos e todos se toquem e se deixem ser tocados. Mas a memória não é materializada e  a verdade é que estou contigo eternidades…e longe de ti eternidades…..(e o perto/longe tornam a partilhar o mesmo leito da eternidade) ……

Enfim, penso. Não!; permitam-me a correção desta afirmação inconsistente: enfim, penso pois nada sei, - pois é sabido que o pensamento sendo um mecanismo de penetrar no desconhecido, uma forma de trazer algo para a tela mental , é sinónimo de ignorância.
Só sei que o teu último sorriso contido no teu olhar ficou retido em mim…"

4 comentários:

António Castanheira disse...

Ouso perguntar...

- Quando foi a última vez que esteve embrenhada na Natureza (nossa mãe, de onde todos, sem excepção, viemos)?... Ouvir o vento, sentir os cheiros, ver as formas, ou simplesmente, escutar o silêncio...
A natureza transmite-nos PAZ, tranquilidade, o equilibrio que por vezes nos falta para ultrapassarmos as dificuldades com que nos deparamos ao longo da vida...

- Quando foi a última vez que observou o céu estrelado ou o céu infinitamente azul?...

As coisas simples são as mais belas, assim queiramos ver a sua essência...

Desculpe a minha ousadia.

Felicidades!

Amita disse...

Essa verdade do "perto-longe" deslizando pela intemporalidade.
Excelente texto.
Obrigada pelas palavras.
Um abraço e uma flor

Mel de Carvalho disse...

... e eu tb estou, "Pessoa Nenhuma". e como fico contente de ter voltado a este espaço, de que havia perdido o rasto. vou linkar-te, pode ser?

beijinho
Mel

lua prateada disse...

Á quanto tempo.....recordações é o que mais nos fica na memória...Beijinhos doces para ti
SOL= Cidália