
Nas Águas do Verso
ANTOLOGIA
Espero que tenham apreciado o encontro comigo...
Encontram-me escondida entre palavras que ecoam " só mas nunca será só".
Foi um prazer ter participado!
Espero que apreciem a leitura
Façamos da interrupção um caminho novo.
da queda um passo de dança,
do medo uma escada,
do sonho uma ponte,
da procura um encontro!
F. Sabino
No embalo da morte senti o que prevejo em ti. A azia, que o pensamento me deixou, deixou-me azeda em espírito. Carácter a se encarcerar, para encontrar o pacifico no futuro que agora vejo. Nos teus ombros, choro o que prevejo e não desejo. O teu calar deixa-me o julgar dum teu sufoco, talvez até nem sentido. Sim, se calhar nem sentido. Fica junto de mim, com a mão erguida. Deixa-me sustê-la firmemente na minha, mesmo quando não posso, porque o meu tempo não pode fazer perecer… o poder fazer. Neste bambolear que sinto na vida sequiosa de ser esquizofrénica sinto que o dever me persegue, foge, entre as sombras que o céu me vai deixando, para o juízo final - cenário por mim congeminado e por vós sussurrado, para a preparação da alma, dizem-me vós. Mas digo-vos (sim, a vós!) a preparação nunca vem, mesmo depois do inegável, do inevitável se tornar um letargo, terrificante assombro para perdurar e passar a fazer parte de um novo registo no nosso trilho. A preparação não veio, não vem e não virá. Nunca virá. Apenas a lembrança do treino da preparação ficará. Apenas a lembrança do teu eu contido, retido, absorvido, sugado pela despersonificante doença. Não és doença, deixa-me que te diga. Eu sei. Não obstante, ela levou uma parcela de ti, mas o todo da parcela fica em ti e em mim.
Um brinde a ti, meu doce pai...que fiques, de mão na minha, sem eu a largar.